Mente em apuros, continua
Fujo do que sou? Questionar, uma dádiva ou minha perdição? Penso, por um lado alimento meu ego, por sustentar a inteligência que acredito ter. Gasto horas e horas conversando, horas e horas que poderiam ser melhor aproveitadas com resoluções de exercícios, trabalhos, estudos...
Por um lado creio, não haver nada superior às relações humanas, filosofias, questionamentos e troca de idéias, por outro, vivo, sinto a dor de desrespeitar o sistema e desafiá-lo.
Vivo a contradição de saber o que devo fazer e seguir as minhas idéias. Devo aguardar, guardar tudo em uma caixa em um fundo de um baú para abri-lo quando estiver dentro do próprio sistema e assim poder despejar aos poucos e modificar o errado, para torná-lo certo.
Para não passar de mais uma adolescente em crise, mais uma adolescente apaixonada pelos pensamentos, ah, fase... Gostaria de não estar nessa idade para poder jogar por terra todas as teorias utilizadas para diminuir minhas palavras.
O “E se” me persegue...
E se for realmente uma fase, afinal, a vida é uma eterna repetição.
E se ao guardar tudo em um determinado baú, esquecer, e se adequar como tantos outros fizeram.
Escrevo textos, tentando me lembrar, e enxergar o certo.
Tudo é relativo, varia conforme a situação, pessoa, e lugar.
Posso me achar idiota, ao mesmo tempo considerando-me brilhante.
O que sou realmente? Não passo de mais uma? Ou farei diferença?
Esperar, esperam muito, tentando dar apoio, esperanças são depositadas. Tentar ser desvinculada a imagem formada de um ser, para ser realmente o ser.
Contradições. Vivo delas. Ao mesmo tempo que fujo do foco das atenções, as volto para mim. Tentar ser diferente, sendo igual, fugir do verdadeiro ser, sendo o ser. Incompreensíveis, repetitivos, tornam-se meus textos, reflexos de minha alma.
Posto no meu blog, mais uma vez virando todos os olhos para mim. Passar desapercebida é impossível, inflo meu ego, confundo minha cabeça.
Aonde vou parar?
Questiono-me e não sei o porquê de a todo tempo tentar lucrar com os questionamentos, formas de expressão...
Pobre, repetitivo, idiota e clichê. Desvalorização não deixa de ser um próprio clichê?
Aborreço a todos. E posto. Depois de uma semana, sem propósito. Não paro mais com meu nome em nicks, abrevio para tentar me esconder, mas esconder de quem? De mim mesma.
Poupe-me Ariadne Celinne, crise de identidade sem motivo, não.
Sem motivo?
Agora sim, finalizo, mais um texto sem revisão, maluco e tosco. Necessário.
Ariadne Celinne, 08/09/05, 22:14.
Escrever é terapia? Ou é tudo uma manobra psicológica? Igual estudar por estudar, sem nenhum compromisso torna-se prazeroso e estudar para uma prova no dia seguinte é doloroso, por mais simples e fácil que seja a matéria. Uma semana trabalhar a todo vapor, sem limites de horas e na outra simplesmente ficar estacionada como se não houvesse atividades a serem executadas. Desvalorizar inconscientemente valores, de tal forma a não ter mais estímulos para alcançá-los... vagar entre os extremos, sem atingir um equilíbrio essencial para o ser. Estar muito além dos limites do pensamento ou viver uma ilusão em um cubículo fechado. Perder tempo escrevendo textos inúteis e incompreensíveis para fugir do que deve ser feito ou textos filosóficos para provar a (pseudo)inteligência.
Textos para passarem desapercebidos ou voltar todas as atenções para si. Sem revisão, atualizo a página, “sem quê nem para quê”, sem revelar nada das atividades dos últimos meses.
Eis mais mistérios da incompreensão de uma mente estúpida adolescente, voltando a ser criança, ou provando nunca deixar de ter sido, indagando os porquês. “É só uma fase.”
Ariadne Celinne, 01/09/05, 20:38
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