Como prometido a minha opinião em relação as indagações do post anterior, através de um texto de um amigo meu o Leandro que respondeu ao meu post enviando-me o texto a seguir. O livro citado, foi finalizado, para mais informações Cantinho da Leitura.
Conquista
Mulheres, em pleno século XXI ainda são objetos a serem conquistados? Talvez. O que você considera um objeto? Mulher não é objeto, eu não sou um objeto. Objeto é aquilo que é adquirido para satisfação própria por parte de quem o adquiriu (consumidor). Nada recíproco. Conquista-se alguém para algo que se chama relacionamento. Todo relacionamento é reciprocidade.
Relacionamento é algo que se buscava há séculos e que na contemporaneidade continua a ser um objetivo. A diferença do ontem para o hoje é a “data de validade” dos relacionamentos. Antigamente vinha sem data de validade. Hoje, tudo é efêmero. A ordem é: “Use até acabar”. Como se fôssemos objetos de consumo. As pessoas são consumidas quando deveriam ser absorvidas a ponto de fazerem parte da vida um do outro. As pessoas deveriam ser a extensão umas das outras. Nada de contratos para se relacionar.
Ainda assim, a questão é sobre conquista. Tudo precisa ser conquistado. Seja por dinheiro ou por sedução, seja homem, mulher ou objeto. Antes, a maioria das uniões era baseada em sentimentos. Era a motivação do coração das pessoas. Então, o que se buscava, ou o que se conquistava não era a mulher ou o homem em si, e sim um sentimento. O fato de o homem ser um ser sociável o faz carente de se dar com as pessoas que estão à sua volta. Precisa-se de chorar, rir, brincar, suspirar e se encher de emoções. Isso tudo precisa ser dividido.
Hoje, o foco de desejo é outro. Pela efemeridade com que, não os relacionamentos, mas as relações se dão, o que é alvo de conquista é a entrega corporal do alheio. Ou seja, a satisfação pessoal não está mais em emoções e sentimentos. Mesmo porque, aquilo que se deseja não tem mais nada a ver com sentimentos. Aliás, até tem, mas é desprezado. É o beijo pelo beijo, o sexo pelo sexo. Tudo em prol do tesão. Isso sim é objeto. Consome-se como um prato de comida. O pior da história é que se “come” tão rápido que nem dá para sentir o gosto.
Leandro L. Braccini – 12/07/05
"É só na sexualidade que o milionésimo de diferença aparece como uma coisa preciosa, que não se oferece em público e é preciso conquistar. Há meio século, esse gênero de conquista exigia tempo (semanas, às vezes meses!) e o valor do objeto conquistado media-se pelo tempo consagrado a obtê-lo. Mesmo hoje em dia, ainda que o trabalho da conquista tenha diminuído bastante, a sexualidade ainda é para nós o cofre onde se esconde o mistério do "eu" feminino."
(Trecho de “A insustentável leveza do ser” In: Kundera, Milan, Rio de Janeiro , Record/Altaya, 1983, p 201)
Nem ao menos terminei o livro ainda, mas esse trecho despertou-me profunda reflexão. Somos nós mulheres, em pleno século XXI, ainda consideradas objetos a serem conquistados? Respondam, depois de um número de comentários considerável, expresso a minha opinião.
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