O meio

O meio

Prefiro finais de ano. Melhor dizendo: adoro a sensação de dever realizado. Meus começos de ano são sempre dramáticos demais, pensativos demais, acredito que o intervalo entre dezembro e fevereiro além de servir para reencontrar amigos, transformou-se em uma época de projetos.

Nada contra projetos, aliás, preciso deles para viver, contudo se prender demais aos projetos é um grande problema. Porque a vida falha. Falhamos. Muitas vezes não por leniência, simplesmente porque tínhamos de falhar e pronto.

E a falha nos leva a sensação de derrota. Amarga. Ainda mais para os acostumados a vencer. Uma simples linha fora de rota torna-se um trauma grandioso. Por mais que os planos intermediários tenham sido atingidos a expectativa não alcançada segue para sempre.

Nos últimos meses, sofri pela primeira vez as conseqüências de atos exclusivamente meus. Drástico você permanecer em contato o dia inteiro com a única pessoa responsável pela vida levada. Drástico e reconciliador. Porque como as decisões foram suas, mudá-las ou transformá-las só cabe a você, e por mais contraditório que pareça, desistir se torna mais difícil.

Afinal, a tentação de retornar a planos utópicos é inerente, voltar a um ponto de sonhos aparenta ser muito mais fácil do que encarar uma das alternativas do antigo sonho. Uma nova tentativa de reencontrar o “plano A” pode converter-se em uma doença. A doença do “não querer seguir em frente”.

Chegamos aos meados do ano, a parte mais interessante, durante esse período a sensação de não saber onde “isso tudo vai acabar” domina. E você por vários meses só segue as datas, os dias, aproveita como pode. No meio do ano, não existe mais o voltar atrás, somente o seguir em frente, tempo demais gasto com “antigos novos projetos” para simplesmente abrir mão dos mesmos.

E espero chegar, naquele final de ano,  com a sensação de “foi difícil, mas eu consegui”. Muitas vezes não da maneira em que eu planejava, sonhava e gostaria de ter realizado. Hoje, prefiro chegar no final e poder iniciar um novo projeto. Renovar de fato, planos antigos demais tornam-se velhos, acumulam poeira e convenhamos, nós não somos velhos como nossos planos. Pelo menos, eu decidi não ser, não mais. 

 Uma linha por vez, obrigada. ;)


Postado em: No pé do ouvido

*editado em 10/04



Postado por: A.C. às 23h27
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Isabella

Isabella

O espetáculo tomou as rédeas das investigações da morte da Isabella.  O país se chocou e os telejornais nunca foram tão assistidos (a audiência aumentou em até 50% nessa última semana), e a Polícia cumpriu os prazos (disse que chegaria a uma resposta até nessa sexta-feira). O pai de Isabella foi indiciado por homicídio doloso.

Não entrarei nas minúcias da investigação, até mesmo porque os jornalistas estão desempenhando de forma magnífica (para aqueles que gostam sensacionalismo) as investigações. Sim, as investigações. Porque para ser jornalista deve-se ter mais do que um “quê” de detetive.

A família dos suspeitos, os suspeitos  foram ao banheiro? Foram ao supermercado? Estamos sabendo. Comeram? Estamos sabendo. A busca pela audiência transformou o país, as discussões nas ruas, os comentários até mesmo em aulas, na exploração de um caso só.

Parece-me que os crimes pararam de acontecer, os assassinos de matar, outros de morrer. Pessoas continuam a morrer de fome, a miséria não deixou de existir, a (eterna?) disputa pelo poder no Oriente Médio faz dezenas de vítimas diariamente, contudo, até que as investigações do caso Isabella terminem qualquer informação diferenciada permanece em segundo plano.

Não critico as investigações, os culpados devem ser achados e os trâmites legais necessitam de prosseguir, é claro - até mesmo porque demorarão anos até que eles possam atingir o tão almejado fim. Critico sim, a postura de uma imprensa sensacionalista e a resposta mais do que rápida de uma Polícia desesperada para demonstrar eficiência.

Espero da eficiência a verdade e não a manipulação. Não cabe a mim questionar a investigação. Confesso ser resistente em aceitar a idéia de que um pai jogaria sua própria filha pela janela, porém casos bárbaros acontecem diariamente, por quê esse não seria possível?

No entanto, pessoas chegam a se deslocar até 400 km para jogar pedra nos possíveis culpados de um assassinato. Os suspeitos precisaram de muitos seguranças e uma grande movimentação da polícia faz-se necessária. Clamor por justiça? Vontade de transformar a realidade do país?

Li essa semana nos comentários de um blog político um leitor que dizia “parem de matar a Isabella todos os dias”. Faço da frase dele a minha frase. Dar respostas aos casos principais é fundamental, o resto dos assassinatos? Esses demorarão anos até serem resolvidos, se o forem, o caso da Isabella foi (?) hoje.

Ps.: É fundamental a lembrança de que só podem ser chamados de fato assassinos e criminosos depois da sentença final do juiz. E não estou defendendo bandidos, somente o bom senso. Quero a solução do caso tanto quanto o resto da população, só não acho justo com a Isabella a exploração de sua imagem para o lucro e a conclusão do crime um julgamento precipitado (alguns canais de comunicação ainda mais sensacionalistas já chamavam a madrasta e o pai de assassinos antes mesmo do laudo final dos médicos). Clamo por uma justiça e por um pudor maior. Um respeito a dor. Cantar parabéns a Isabella no meio da rua? Lamentável.



Postado por: A.C. às 19h42
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Da caixa

Da caixa

Campo Grande, 13 de abril de 2008.

Já fechaste muitas caixas. Algumas delas em um curto período de tempo. Abriste, empilhaste, alguns conteúdos - inclusive-  foram jogados fora. Por um longo período paraste de empilhar caixas, o teu mundo era o que te importava. Os raios, trovões, o cansaço, a agonia era todo teu.Tu te afastaste de qualquer influência que pudesse mexer com o andamento ideal para as tuas linhas, tuas páginas e prosas...
Sacrificaste tudo por um futuro indeterminado, que hoje, tu vês inexistente. Hoje, tentas encaminhar as linhas para que outros possam ajudá-la a escrevê-las. Outras pessoas, amigos, contudo tu te vês cada dia mais distante daqueles que um dia participaram diariamente da tua vida.
Cada dia mais distante de uma vida. Ou de como uma vida deveria ser. As lágrimas esbarram nas fechaduras, enquanto tu procuras pelo menos uma das chaves da caixa em que te encontras.



Postado por: A.C. às 18h07
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Da lição não aprendida

Da lição não aprendida

Campo Grande, 09 de abril de 2008.

O fracasso virá do teu ponto de vista. Estudarás muito, lerás muito, superarás as barreiras criadas por ti mesma diariamente. Contudo, enquanto não parares de olhar pelo lado das coisas não absorvidas, não aprendidas ou daquilo que sabes que existe (contudo desconheces o significado), o fracasso virá. O fracasso virá das horas dispensadas a outras atividades. Das horas no futuro em que não estudarás, não lerás e entregarás tua alma ao ócio. 

O arrependimento amargará as horas utilizadas para a diversão diferenciada, as horas concedidas para simples vivência da realidade. Tua falta de equilíbrio deporará contra ti mesma.  Atormentarás a ti mesma e a tua própria alma por não saber dividir as horas, por não saber te controlar. Enquanto não aprenderes a própria lição, pensarás sobre o quê não sabes e perderás o verdadeiro sabor do aprendizado. 



Postado por: A.C. às 17h25
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Da vaidade

Da vaidade

Campo Grande, 08 de abril de 2008.

Não pararás de pensar na vida que gostarias de ter. E não medirá esforços para alcançar o patamar tão desejado. Sacrificarás o presente por um futuro. E o futuro pelo passado. Pensarás eternamente naquilo que és, mais ainda no que foste e ainda mais no que poderias ser. E durante todo esse período sentirás culpa por ser pouco agradecida.



Postado por: A.C. às 13h32
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Ariadne Celinne, 17 anos, estudante de Direito da UFMS. Objetos inseparáveis: Óculos, livros, computador e mp3. Diversão: Livros, séries, congressos jurídicos (hahaha).
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