O meio
Prefiro finais de ano. Melhor dizendo: adoro a sensação de dever realizado. Meus começos de ano são sempre dramáticos demais, pensativos demais, acredito que o intervalo entre dezembro e fevereiro além de servir para reencontrar amigos, transformou-se em uma época de projetos.
Nada contra projetos, aliás, preciso deles para viver, contudo se prender demais aos projetos é um grande problema. Porque a vida falha. Falhamos. Muitas vezes não por leniência, simplesmente porque tínhamos de falhar e pronto.
E a falha nos leva a sensação de derrota. Amarga. Ainda mais para os acostumados a vencer. Uma simples linha fora de rota torna-se um trauma grandioso. Por mais que os planos intermediários tenham sido atingidos a expectativa não alcançada segue para sempre.
Nos últimos meses, sofri pela primeira vez as conseqüências de atos exclusivamente meus. Drástico você permanecer em contato o dia inteiro com a única pessoa responsável pela vida levada. Drástico e reconciliador. Porque como as decisões foram suas, mudá-las ou transformá-las só cabe a você, e por mais contraditório que pareça, desistir se torna mais difícil.
Afinal, a tentação de retornar a planos utópicos é inerente, voltar a um ponto de sonhos aparenta ser muito mais fácil do que encarar uma das alternativas do antigo sonho. Uma nova tentativa de reencontrar o “plano A” pode converter-se em uma doença. A doença do “não querer seguir em frente”.
Chegamos aos meados do ano, a parte mais interessante, durante esse período a sensação de não saber onde “isso tudo vai acabar” domina. E você por vários meses só segue as datas, os dias, aproveita como pode. No meio do ano, não existe mais o voltar atrás, somente o seguir em frente, tempo demais gasto com “antigos novos projetos” para simplesmente abrir mão dos mesmos.
E espero chegar, naquele final de ano, com a sensação de “foi difícil, mas eu consegui”. Muitas vezes não da maneira em que eu planejava, sonhava e gostaria de ter realizado. Hoje, prefiro chegar no final e poder iniciar um novo projeto. Renovar de fato, planos antigos demais tornam-se velhos, acumulam poeira e convenhamos, nós não somos velhos como nossos planos. Pelo menos, eu decidi não ser, não mais.
Uma linha por vez, obrigada. ;)
Postado em: No pé do ouvido
*editado em 10/04




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